domingo, 2 de janeiro de 2011

Ela olha para mim



Paro atrás de um cara grande e gordo, não da pra ver muito do que esta na minha frente ele toma muito espaço, olho para o lado e vejo ela, ela olha pra mim, com seus olhos grande e lindos, me chamam a atenção, uma voz na frente grita – O próximo da fila, por favor – Eu dou um passo a frente, olho novamente pra ela, ela esta passando a mão no seu cabelo, tirando ele do ombro e jogando ele para trás, lentamente ela olha para mim, minhas mãos congelam, penso, o que eu faço? Uma senhora chama a minha atenção pede pra entrar na minha frente, repondo que sim. A senhora agradece apertando minha bochecha. A garota sempre me olha assim, mas ainda não sei se ela sente algo por mim. Ela esboça um leve sorriso, volto minha visão para o chão. – Por que eu fiz isso? Por que abaixei minha cabeça? – Penso.
Novamente a voz grita – O próximo da fila, por favor – pego uma caneta que está no bolso de trás da calça, fico apertando o botão dele tentando me distrair, mas é em vão, a garota dos olhos grande não para de olhar para mim, agora ela esta mordendo o canto da boca, o seu nome é Cibele, minhas mãos ficam suadas, passo elas na calça tentando tirar o suor. Escuto uma criança chorando, olho pro lado e vejo uma senhora chegando com uma criança no colo, deixo ela entrar na minha frente.
Olho para a porta e vejo um cara entrando, ele tira uma arma da cintura – Isso é um assalto, ninguém se meche ou eu atiro – As pessoas gritam, minhas pernas não param no lugar, ele vai ao caixa, pede todo o dinheiro para Cibele, a outra garota do caixa se esconde, o cara gordo tenta tomar a arma dele, fecho meus olhos e escuto o som da bala saindo pelo cano da arma, vejo o cara caindo e por cima dele cai o cara gordo, todos param, o sangue começa a se espalhar pelo chão, o cara gordo se meche e o assaltante sai debaixo dele – Mais alguém quer ser herói? Mais alguém? Todo mundo virado para a parede agora – Eu me encosto na parede, escuto a voz dele mandando a Cibele sair do caixa, viro o meu rosto e vejo as lagrimas descendo dos olhos dela, ela olha para mim como se fosse uma despedida, o assaltante pega no braço direito dela e a puxa para fora da lotérica.
Sinto minhas mãos quentes, minha respiração fica mais intensa, vejo o ferro que faz a marcação da linha da fila, olho para o assaltante, ele está perto de mim – Essa pode ser a última chance – Penso. Seguro o ferro bem firme, olho para ele e com toda a minha força acerto a cabeça do assaltante, escuto mais uma vez o barulho do tiro, o assaltante no chão olha para mim, as pessoas correm, ele aponta a arma em minha direção, sinto minha algo queimando meu corpo, o ferro cai da minha mão, perco as forças nas pernas, meus olhos fecham.
Aos poucos abro meus olhos, vejo alguém perto de mim – Você esta bem garoto? – Respondo com a cabeça.
– Você levou um tiro no abdômen, mas já retiraram a bala, agora você vai ficar bem. 
– O cara gordo morreu?
– Não, ele perdeu muito sangue, mas graças a gordura a bala não atingiu nenhum órgão, ele vai ficar bem. O assaltante foi preso graças ao que você fez, parabéns! Ele é um assaltante muito procurado, além de roubar ele queria estuprar a jovem.
– E a garota, esta bem? Minha vista ainda esta embaçada.
– Ela infelizmente foi atingida. Tem uma pessoa que quer falar com você, depois volto. – O policial da vira as costas e sai, sinto uma mão fria tocando a minha. Sinto ela se aproximando, ela tem o braço enfaixado e lentamente beija meus lábios, sua boca é doce.
– Eu queria te agradecer pelo que você fez, você foi muito corajoso. – É ela, é Cibele, ela olha pra mim...

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